O vazio do domingo

Desde as primeiras horas da segunda-feira, eu fantasio um final de semana infinito, com perfume de flores recém-colhidas, levezas, tempo largo, um coração tranquilo. Ah… quanta insistência nessa imaginação. Eu espero os dois dias de alívio, com o passar da semana e ele nunca vem. O peso da gravidade que nos enlaça e prende parece também prender meu corpo ao sofá, à cama, à inação, à melancolia até que os dias úteis me determinem o movimento mais uma vez. Não sei ainda o que eu sou, mas sei que é mais fácil ser útil atendendo ao desejo de alguém, é mais fácil resolver problemas que não são meus, é tolerável fazer o que me pedem. Chegando à convicção de que é a utilidade que me sustenta, talvez, completamente. Que venham os dias de servidão, os que são úteis, quando eu vivo é por obrigação, porque sei seguir regras.

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