Sobre almas sem ordem e a necessidade de controle

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Eu não vivo sozinha no mundo, há na verdade bilhões e bilhões com quem divido espaços, vazios e outras coisas mais. É assim com quase todo mundo. A gente vive junto, faz isso e aquilo grudado ou afastado, bem longe ou do lado, mas o fato é que não falta contato… e é neste tal de contato que as coisas mais escabrosas acontecem.

(Paremos, irmãos, por dois minutos, de pensar nas coisas lindas e cor-de-rosa – não gosto de cor-de-rosa!, corrijo: lindas e adocicadas do contato humano).

Uma das coisas que tem me aterrorizado é este clamor pela ditadura. E daí, pensando e pensando e… mais sentindo que pensando nestes dias, refleti que o que tem me incomodado tanto é, na verdade, o que as pessoas fazem para exercer o controle e o desejo que muitas têm de serem controladas. É a obsessiva-repetição-sistemática (e camuflada de “ordem” – éééééééé… tá lá na bandeira nacional) de comportamentos ansiosos por controlar tudo o que está aqui, no exterior palpável, nesta loucura tangível onde a gente vive. Ah… aaahhhhh… que este mundo não tem controle, minha gente! A tentativa – é evidente! -, é de tentar por alguma ordem em si mesmo, organizar o caos da alma. A questão é que nesta lida insana, quando se põe em contato com outras pessoas, este alguém inflige dor e aprisiona outra alma humana.
Por isso, eu sou a favor da intervenção (pra usar a palavra mais dita do momento) psicológica. Porque ela nos apresenta a nós mesmos. E é só este conhecimento que pode por alguma ordem no caos. Massss, para quem achar que ela não serve, justificando que “é outra forma de controle”, ainda há Osho, Arte, yoga e olhar de criança, que ajudam a revelar o que há lá, naquele ponto que não tem nome, que é o que nós somos (Viva Saramago!).

Alimentar é materno

Cabe ao verbo a ação. A velocidade à luz. A medida à razão. É assim… a cada coisa cabe ser o que se é. A cada um, a dor e a delícia…
Cabe à criança brincar e se lambuzar de vida. Sorver das mães que lhe adotam o leite e a melhor energia. É para além da nutrição do corpo que uma mãe é mãe para o seu filho. É para preenchê-lo deste sopro, desta chama infinita que é o amor.

 

 

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Virgem do Leite, 1500-1525, Mestre dos Túmulos Reais – Mosteiro do Lorvão.  Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra – Portugal. Foto de Grace Donati 

Possibilidades

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Foto: Grace Cristina Ferreira-Donati Local: Quinta Real Caxias, Caxias, Portugal Monumental e singular cascata, com edificações ao redor repletas de referências românticas e bucólicas. Encontra-se classificada como imóvel de interesse público (1953).

“Há quem refugue ante portas cerradas, há quem se inquiete a imaginar a realidade que se põe ao outro lado, há quem só olha a porta e se alegra, por ser a sua existência, ela só, toda a promessa de possibilidades”.