Alimentar é materno

Cabe ao verbo a ação. A velocidade à luz. A medida à razão. É assim… a cada coisa cabe ser o que se é. A cada um, a dor e a delícia…
Cabe à criança brincar e se lambuzar de vida. Sorver das mães que lhe adotam o leite e a melhor energia. É para além da nutrição do corpo que uma mãe é mãe para o seu filho. É para preenchê-lo deste sopro, desta chama infinita que é o amor.

 

 

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Virgem do Leite, 1500-1525, Mestre dos Túmulos Reais – Mosteiro do Lorvão.  Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra – Portugal. Foto de Grace Donati 

Soneto da Fidelidade, de Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes, “Antologia Poética”, Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

 

Poema declamado por Camila Morgado

Sobre a menina que me deu a vida

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Hoje cedo, quando acordei e fui ao encontro da minha mãe para entregar meu abraço caloroso e um presente pelo Dia das Mães, me deparei com uma menina. Ela estava de pé, em cima da mesa da nossa área de lazer (pasmem!), retirando lagartas de uma samambaia. Não tive dúvidas e, abrindo um largo sorriso, concluí: é mesmo a minha mãe!
Com idade suficiente para dedicar-se a tarefas de cadeira, ela ainda sobe no telhado para retirar folhas secas e galhos, sobe nas mesas para cuidar das plantas e entra comigo no porta-malas do meu carro fazendo graça enquanto me ajuda na limpeza. É uma menina!
Minha mãe é aquela que passou a vida doando todo o tempo aos seus filhos, e amparando amigos e parentes nos momentos difíceis quando precisava, ela mesma, ser acolhida e cuidada.
Ela esquece de si mesma com muita naturalidade, como se não fosse importante e tenta me convencer de que eu sou sua luz.
Ela ignora suas necessidades mais básicas e ainda se sente culpada por comer um pastel na rua, quando eu não estou com ela para comer também.
Assim é a minha mãe!
Depois de receber seu presente hoje, me deu uma linda orquídea… agradecendo por eu ser sua filha.
Mas não se enganem: a doçura também pode azedar ao ritmo dos segundos (!!!) por coisa pouca e sem que ninguém espere. Nestes momentos, eu sou lembrada de que a Genética existe de verdade!!!
Foi esta menina que me deu a vida. Sou vista, cuidada, amada e amparada por ela. Ela ainda me chama de princesa com sua fronte no meu peito e, junto com meu pai, acredita que serei para sempre sua criança. Talvez seja isso mesmo… porque filha de menina, menina é!