A Exposição “Árvores, galhos e outros ramos”

“Árvores, galhos e outros ramos” é um projeto de Artes Integradas, premiado no Edital ProAC n.o 40/2017, de autoria compartilhada entre Grace Donati – esta blogueira aqui – e André Marques. Construído sobre o diálogo contínuo entre a Ciência, a Poesia, as Artes Visuais, o Teatro e a Performance, o projeto é a exaltação das árvores, desta vida quieta que nos permite existir. A Exposição está aberta à visitação na Galeria Municipal “Angelina W. Messenberg”, em Bauru, no interior de São Paulo. Visite a página do projeto no Facebook:  Árvores, galhos e outros ramos no Face. Ouça algumas poesias declamadas em nosso canal do Youtube:

Canal do Projeto “Árvores, galhos e outros ramos”

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Amanhã, eu tento de novo

Amanhã, eu tento de novo
Parar o tempo
Colorir o sossego pincelando a angústia de existir
Escolhendo as palavras para por luz no que escurece a emoção.

Amanhã, eu tento de novo
Organizar, por no lugar o que andou por aí sem rumo
Pagar as dívidas e curar as feridas
Preparar dias com mais primor.

Amanhã, eu tento de novo
Cumprir as promessas, ouvir canções de seresta que apaziguam o coração.
Tento ler os versos dos mestres
Comprar presentes e os venenos úteis
Jogar o acúmulo, o lixo futuro.

Amanhã, eu tento de novo
Agendar dias de só delícias
Aprumar e rezar
Registrar a ciência
Dormir o sono da paciência
Bebericar chá e pensar
Brincar de imaginar.

Amanhã, eu tento de novo e de novo
Cuidar do meu cuidar
Ouvir canção de Oswaldo
Esticar o corpo flácido
Respirar o ar sem par
Tento comprar o necessário
Declamar fora de horário
Esvaziar meu carro.

Amanhã, eu tento de novo
Virar uma só sendo dez
Ser multidão de uma vez
Delegar a criança fácil
Acender a vela
Aguar a planta
Ser pequena e tanta.

Alimentar é materno

Cabe ao verbo a ação. A velocidade à luz. A medida à razão. É assim… a cada coisa cabe ser o que se é. A cada um, a dor e a delícia…
Cabe à criança brincar e se lambuzar de vida. Sorver das mães que lhe adotam o leite e a melhor energia. É para além da nutrição do corpo que uma mãe é mãe para o seu filho. É para preenchê-lo deste sopro, desta chama infinita que é o amor.

 

 

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Virgem do Leite, 1500-1525, Mestre dos Túmulos Reais – Mosteiro do Lorvão.  Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra – Portugal. Foto de Grace Donati