Embora

Pra frente
Em frente
Caminhando devagar
E tanto
Pra sempre
Que se olha agora
Pra frente
E sem olhar pra trás
Com a luz em mente
Nem que se ressente
É pra sempre agora
E é pra frente que se anda
E se vai embora
E se apaga
O que se desenhou atrás
Olhos altos naquela luz da estrela
Pedindo intenso a proteção da Aurora
Mesmo que chora
Caminha os passos para frente agora
O que passou
Se esquece em outra hora
É pra sempre que se vai embora.

Marcílio

Agora ele vive na memória 
Não mais nas manias repetidas
Não mais no silêncio compartilhado
Não mais no chamado pela menina.

Agora ele descansa eterno
Não mais na cama ou no leito
Não mais em fuga ou com medo
Não mais pedindo sossego.

Agora ele está só por ele
Não mais pelos peixes ou pássaros 
Não mais pela lida e a esposa amada
Não mais pelos filhos ou qualquer outro laço.

Agora ele é aquela estrela que ilumina
A que no alto da noite mais brilha
Que vive em nós e por onde for
Que cuida, indica, ampara e vigia.

Em homenagem ao meu sogro, homem de caráter forte, honesto, generoso e benevolente que deixou esta existência no dia 23 de outubro.

E se as tristezas forem mais do que as levezas…?

Não há dia que se faça somente de choro, ou só de riso, só de dentes aparecendo à toa, sabe? Ou só de coração batendo apertado e respiração curta, miúda e seca… Não há dia construído só disso ou só daquilo. Cada dia tem em si muitos dias que talvez não sejam… e outros tantos que certamente serão. Um dia é uma entidade bipolar por natureza. Tem dia que é pura noite, dia que nem se sente a noite, dia que se encomprida e pula a noite até ser dia de novo. Há dias em que levezas, adornadas de muitas e sutis belezas, fazem sorrir em segredo a alma e dançar a música que cadencia nossa voz. Mas tem dias… outros dias, em que tristezas são mais que as levezas. Daí, é de se pegar o dia claro que poderia ser e fazê-lo livre, viver.

Oco sem fundo

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Se pudesse, ela dobraria cada segmento do seu corpo para escondê-los no buraco aberto em seu peito.
Naquele oco sem fundo, interminável, que se fizera marca nova da vida que escolheu seguir.
Os pés tortos, os joelhos apertados, as pernas contra o vazio contorciam o desejo de menos dor.
Para domar sua alma chorosa
Sequiosa de paz
E calor.