Havia luz naquele espaço cinza onde vagueavam os sonhos perdidos.
Eu pude vê-la por um instante apenas. Mas eternizei seu brilho em minhas retinas, quando a esperança estava prestes a nos deixar.
Autor: Grace Cristina Ferreira-Donati
Os dias

É de degraus e de vagares que se esculpem os dias
Da luz e da sombra, das ondulações do caos.
É de sóis e cinzas que se remenda a rotina
Das fantasias lunáticas da normalidade.
É da rudeza no tilintar das horas
Das farsas boas e de meias verdades.
É de manias e pesares que se torneiam as vidas
Da dor e da glória, das limitações do mal.
Sentir em curtas VI
“Voa para além deste tempo, deste agora.
Eu lhe dou minhas asas.
Você faz de mim sua casa.
E assim seremos, sem hora.”
Segredos
Eu quero

Eu quero o pulso
O riso
O súbito.
Quero o peso
O gozo
O ímpeto.
Eu quero o susto
O jogo
O lúdico.
Quero o erro
O sopro
O rústico.
E em querendo,
Quero a lembrança do seu cheiro
O olhar fagueiro
O amor inteiro.
Sobre o inverno
“Nosso inverno não é destituído de cores, não é um período vazio de emoções, mas sim uma ocasião em que todas as alegrias vividas vêm à tona, fazendo-nos rejubilar com a missão cumprida. Todas as estações vividas ainda vibram em nós e estas longas noites de inverno são a ocasião propícia que a vida nos oferece para recordarmos”.
Do livro Estações, de Adelaide Reis de Magalhães, admirável artista que me ensinou sobre as estações e sobre como manter o brilho em meus olhos.
Peso diário
Há um peso nos dias
Há a certeza
Da penúria
Das agruras
Da fúria.
Há veneno nos dias
Há a clareza
Da amargura
Das ranhuras
Da culpa.
Sentir em curtas V
Rendo homenagens a quem muda com o vento e ao sabor do ímpeto, no limite do desejo, também sabe retornar ao velho espaço, refazer os mesmos passos e viver a novidade da memória antiga. 03 de setembro de 2015.
Sentir em curtas IV
É nesta miséria que as pessoas deslizam suas vidas.
Nesta comiseração pelo umbigo próprio e na fantasia da penúria.
É com este deslize, no rescaldo de humanidade
Que elas se afugentam no calor de suas ilusões
Com cores primárias
E luz enfeitada.
Palavreado
As palavras todas estão em mim
Umas se afugentam
Outras rabugentam
E assim é
Sem fim.
