Não há nada em mim que valha a pena arquivar e esquecer num canto escuro da alma. Tudo o que passou em mim, rasteiro e corrido… e tudo o que ficou aqui acalentado, acolhido faz de mim o que eu posso ser, aquilo que é pouco, ainda que digno, inteiro.
Pássaro
Acho que ele preferiu o silêncio hoje, para escutar seus pensamentos.

Pássaro, Aquarela sobre Canson 300, Grace Donati, fevereiro de 2019
Janelas
As janelas sempre me fascinaram. Ao me deparar com uma… eu imagino pinçando-me a mim mesma, como se estivesse mexendo com a peça de um tabuleiro de xadrez e me ponho em diferentes posições. Sinto que é imensamente confortável qualquer das perspectivas: estar do lado de dentro e olhar para a janela, gradeada ou não, para o contorno, seu limite mais íntimo é tão bom quanto perscrutá-la de fora, a partir do externo, do que ela revela aos olhares desconhecidos. Penso, em todas as vezes, todas mesmo, quando eu avisto uma janela: qual lado será mais seguro? Qual dos espaços, interno ou externo, de lá ou de cá, limitados pela janela é melhor para se estar? O que conhece a face de dentro? O que já viu a face de fora? Fato é que os ornamentos que ficam pra fora jamais conhecerão as cores de dentro… e isto é a condição para ser janela.

Imagens captadas de Pinterest
Anestesia

Manuscrito original. Poesia publicada no livro “Retalhos de alma inteira”, de Grace Donati, Editora Scortecci, 2016.
Tarde de amor perfeito
“Naquela tarde eu fechei os olhos e sonhei que vivia uma história muito bonita… uma história de amor, com todos os desatinos e as tempestades de uma história de amor. Por alguns instantes eu esqueci a obrigação da sensatez e do equilíbrio e me entreguei a um mundo de sensações e êxtase que rompeu a ordem do tempo e da minha realidade cinza… Imaginei um homem e uma vontade. Coloquei entre eles a minha presença sequiosa de carinho e pintei um cenário de cores fortes para me deitar. Estiquei o meu corpo no dele, aquietei minha ansiedade e vivi as iniciativas do calor. Senti a severidade do correr do tempo pulsando nos meus braços e depois a tristeza que me leva a sonhar minha imaginação fértil, fruto de mais um dia sem ninguém…”
14 de abril de 2002
Nascimento e colo
O colo não é obra da posse, é acolhida, o amor inteiro em meio ao caos.

“Nascimento e colo”, Aquarela e café sobre Montval 300, de Grace Donati.
Árvores, galhos e outros ramos – o livro
Sim… é a vez do livro! É esta obra que encerra a primeira fase do projeto “Árvores, galhos e outros ramos”, financiada pelo ProAC, vinculado à Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. A alegria é imensa! O livro é composto por duas partes: A Parte I descreve o projeto, todos os meandros, as sutilezas e as agruras da realização de tamanha empreitada. A Parte II reúne as 42 poesias criadas ao longo de nove meses, e são ornamentadas por reproduções e fotografias das obras de André Marques. Em breve, disponibilizaremos o arquivo digital do livro, que poderá ser acessado gratuitamente. Acompanhe o projeto em: https://www.facebook.com/pg/projetoarvores/about/.

Livro “Árvores, galhos e outros ramos”, de Grace Donati e André Marques, Canal 6, Bauru, SP, 2018. Capa: reprodução da obra “Palavriada” de Grace Donati, Design gráfico de André Marques
Salix babylonica: a leveza do Chourão

Florbela Espanca me usando como primeira pessoa

Sem palavra alguma e sobrando cor, meu Monet de hoje

Estudo n. 3 de Monet, Montval 300, A3, de Grace Donati