Ela sente

 

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Ilustração: Mariana Komesu

Que ela sente eu sei
Eu sei que se intente
Que se invente a lei
Derrocada da lente
Azul insurgente
Que ela é gente
Eu sei.

Que ela sente e eu sei
A pele é valente
Que à luz aflorei
Emboscada da mente
Que grita silente
Em dor afluente
É nascente
Eu sei.

Ecos na releitura de “O mundo de Sofia” – Eco #3

Eco #3 – página 437 “Ele [Darwin] estava pensando nas mesmas forças que continuam atuando até hoje: o clima, o vento, o degelo, os terremotos e as elevações do solo. Todo mundo sabe que ‘água mole em pedra dura tanto bate até que fura’. E isto não acontece por causa da força da água, mas pela constância, pela insistência das gotas. Lyell acreditava que tais alterações, pequenas e graduais, eram capazes de alterar completamente a natureza a longo prazo. E Darwin pressentiu que esta ideia não explicaria apenas o porquê de ele ter encontrado fósseis de animais marinhos no alto dos Andes. Durante toda a sua vida como pesquisador, ele nunca se esqueceu de que alterações lentas e graduais podiam levar a transformações dramáticas, se se considerasse o fator tempo.”

Eco: Alguém já disse que nada é, tudo está…. que a vida é impermanência (ouço isso em casa – é um privilégio). E se a cada dia, eu acordo outra… devo por na minha lista de tarefas no Todoist me olhar no espelho, escrutinar as pequenas mudanças, espiar os movimentos ínfimos e decisivos que me alteram e me mantém. Devo explorar que brilho novo ou qual opacidade nova vive. Qual parcela minha não sabe ainda nada de si e qual começo antigo poderá ganhar asas na revolução do dia.

 

Quase

Eu quase compreendo a tristeza de quem chora
E quase sinto a dor da ferida
E ouço a lamúria das esquinas
E quase escorre em mim a lágrima daquela menina.

Eu quase morro a morte da Aurora
E quase revivo o riso e a voz
Por pouco não toco em mim a saudade de mil sóis
E quase embalo a saudade daquele colo… de nós.

Pina

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Eu viveria entre mármores curvilíneos que avistam um horizonte que eu não alcanço.
Eu poderia ser esquecida, deixada só entre as criaturas de pedra
Que eternizam os movimentos apaixonados das mãos de sonhadores.

Eu cairia aos pés d’O homem que Marcha
E restaria deitada no octógono que me carrega em viagem circular
Esperando o símbolo perdido se encontrar.

Eu vagaria sem pele por aquelas tiras longas de madeira queixosa
Embriagada pela luz sublime do céu envidraçado.
Eu dançaria nas ruas escuras de óleo e verniz e me juntaria, cansada, às Mulheres na Janela.

Eu amaria todos os donos de olhares apaixonados com braços que eu não abraço.
Eu poderia ser esquecida, deixada só entre as cores da aquarela
E viveria entre histórias vis e memórias secretas.

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Poesia em homenagem à Pinacoteca do Estado de São Paulo, um dos lugares que fazem meu coração sorrir.