Justa indagação

Para que equilíbrio se com você eu quero o que me tira o chão?
Para que vício se na sua vida está o meu alívio?
Para que sempre se o meu pulsar pretende o nosso agora?
Para que sanidade se minha loucura me põe em suas mãos?

Para que proteção se é vulnerável que sorrio fácil?
Para que regras se tenho os beijos do seu improviso?
Para que acertos se você me humaniza nas falhas?
Para que certezas se é na dúvida que lhe tenho ávido?IMG_0523

Permissão

Hoje, permitirei que sente ao meu lado
E olhe o vento ventar a folha que amarelou.
Hoje, permitirei que sinta o beijo que ontem não dei
E ouça o conto contar a história que não vingou.

Hoje, permitirei que toque meus sonhos
E ouça a música cantar a estrofe que perdoou.
Hoje, permitirei que espie o medo que eu não contei
E veja a lua luar o tempo que retornou.

Hoje, permitirei que deite em meu colo
E deixe o sonho sonhar a volta que imaginou.
Hoje, permitirei que tenha o abraço que não entreguei
E seja o mar a marejar os olhos que já amou.

Viva

Viva
Corra o mesmo risco de quem, descalço e infantil, inquieto e febril, ama.
Faça o mesmo riso de quem, entregue e servil, completo e gentil, ama.
Viva a lida fácil de quem, disposto a amar, incerto e feliz, ama.
Como alguém despido de temor e com ardor, ama.
Como além do viço do calor e com fervor, ama.
Com a vida toda em vigor, ama.
Apenas por ser vida
E pelo amor, ama.