Em um evento realizado em novembro de 2016, o III Encontro Regional de Comunicação Alternativa ISAAC Brasil, pude traduzir meu envolvimento com a comunicação de pessoas com deficiências por meio de uma apresentação artística concebida para sensibilizar seus espectadores. Durante a organização do evento, sentia que precisávamos de mais do que palestras, indicadores científicos e relatos de experiências para tocar a mais profunda humanidade de quem assume parceria dialógica com alguém que não se comunica integralmente por meio da fala. Assim, surgiu “Silêncio Poemado”, construído, com a generosidade e a entrega, o talento e o amor de pessoas especiais. O áudio é uma parte da obra, agora disponibilizado neste post. Poesia para ouvir e sensibilidade para tocar.
Concepção artística: Grace Cristina Ferreira-Donati Montagem: Joana Calepso Texto: Poesias de Grace Cristina Ferreira-Donati, todas já publicadas no Verbogeren – Imagem poemada – Insterstício Um; Interstício Quatro; Interstício Dois; Interstício Três; Medo, Perdoa, Esperança, Sê Mâe, Sê Pai e Lugar Bom. Atrizes: Joana Calepso e Nicole Souza Vozes: Grace Cristina Ferreira-Donati, Joana Calepso, Nicole Souza e Wellington Santos Gravação e edição de áudio: Jaredis Souza Músicas (em ordem de ocorrência) de Yann Tiersen (Álbum EUSA, 2016): Penn Ar Lann, Hent IV, Enez Nein, Hent VIII, Penn Ar Lann.
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Vale os tombos?
As quedas, as dores, o choro contido e a falta de ar?
Vale romper limites, extenuar o corpo, expor-se frágil e desajeitada?
Vale misturar a imperícia ao brilho de movimentos tão suaves?
Vale arriscar-se ao desacerto?
Vale, às vezes, um coração quebrado?
Vale os riscos, todos eles?
Vale as perdas e os sacrifícios?
Vale danos na alma?
Vale transbordar de insistência?
Vale o sorriso inseguro?
Vale a persistência?
Pelos dias bons, vale a pena viver dias difíceis.
Pela dança, vale a pena cair.
E vale a pena se levantar…