Este ano morrerei
Sonolenta, jamais acordarei
Minhas alegrias anestesiadas
Seguirão em memória curta e frágil.
Este ano morrerei
Para calar qualquer dor e amor.
(…)

Este ano morrerei
Sonolenta, jamais acordarei
Minhas alegrias anestesiadas
Seguirão em memória curta e frágil.
Este ano morrerei
Para calar qualquer dor e amor.
(…)

Há um tanto de pensamento entre um verso e outro da minha poesia. Cada estrofe é um relato esburacado da minha vontade.
Poesia é um encontro de silêncios… o silêncio de quem a escreve com o silêncio de quem a lê.
Hoje, eu estou vazia de mim.
Não há sorriso que rasgue o rosto
Ou lágrima que brote a gosto.
Eu fugi sabe-se lá pra onde
Buscando sabe-se lá o que.
Nem sobrou certo ou oposto
É um gosto que é de pronto, sem gosto.
Vazia de mim
Eu só, assombro.
Tempo é o que mais vale. Vale tanto que ao se esgotar, esgota-se tudo o que poderia ser.


Não há ninguém mais só
Que ela só.
Não há pessoa mais triste
E que mais insiste
Em ser além
De ser só.
De 26 a 28 de setembro acontece a 7ª Feira do Livro de Santa Cruz do Rio Pardo.
A programação está recheada de poesia, prosa, palavras de todo jeito arranjadas com muita criatividade. Eu estarei lá, divulgando “Retalhos de alma inteira”, meu primeiro livro de poesia, publicado em 2017 e também com a Oficina de Criação, Declamação e Performance do Projeto “Árvores, galhos e outros ramos”. O convite, eu agradeço à querida Layss Pinheiro, minha professora de redação entre os meus 15 e 18 anos, autora do prefácio de “Retalhos…”, e de quem sempre recebi importante incentivo à minha escrita. Será uma grande honra participar desta festa literária! Veja a programação completa em: http://www.feiradolivrodesantacruz.com.br/

Quem do escuro vê claridão, chama de luz o que é abismo.

Trabalho de Dan McCarthy
Não é possível que eu sinta esta dor, sem rasgar em mim as memórias de outras dores e me encolher na lamúria ainda maior. Ela se instala lenta e sutilmente, sem razão ou aviso. Mas eu me lembro das dores passadas e de como eram antes de ser… e então registro o prenúncio de alguma dor que está no amanhã.
Quando falta palavra e sobra cor.

Nós, de Grace Donati. Aquarela sobre canson 180, 21 cm x 29,7 cm.