Há um tanto de pensamento entre um verso e outro da minha poesia. Cada estrofe é um relato esburacado da minha vontade.
Poesia
Poesia
Poesia é um encontro de silêncios… o silêncio de quem a escreve com o silêncio de quem a lê.
Vazia de mim
Hoje, eu estou vazia de mim.
Não há sorriso que rasgue o rosto
Ou lágrima que brote a gosto.
Eu fugi sabe-se lá pra onde
Buscando sabe-se lá o que.
Nem sobrou certo ou oposto
É um gosto que é de pronto, sem gosto.
Vazia de mim
Eu só, assombro.
Sentir em curtas XXIII
Tempo é o que mais vale. Vale tanto que ao se esgotar, esgota-se tudo o que poderia ser.

Solitude

Não há ninguém mais só
Que ela só.
Não há pessoa mais triste
E que mais insiste
Em ser além
De ser só.
Flisc-se!
De 26 a 28 de setembro acontece a 7ª Feira do Livro de Santa Cruz do Rio Pardo.
A programação está recheada de poesia, prosa, palavras de todo jeito arranjadas com muita criatividade. Eu estarei lá, divulgando “Retalhos de alma inteira”, meu primeiro livro de poesia, publicado em 2017 e também com a Oficina de Criação, Declamação e Performance do Projeto “Árvores, galhos e outros ramos”. O convite, eu agradeço à querida Layss Pinheiro, minha professora de redação entre os meus 15 e 18 anos, autora do prefácio de “Retalhos…”, e de quem sempre recebi importante incentivo à minha escrita. Será uma grande honra participar desta festa literária! Veja a programação completa em: http://www.feiradolivrodesantacruz.com.br/

Abismo
Quem do escuro vê claridão, chama de luz o que é abismo.

Trabalho de Dan McCarthy
Sentir em curtas XXII
Não é possível que eu sinta esta dor, sem rasgar em mim as memórias de outras dores e me encolher na lamúria ainda maior. Ela se instala lenta e sutilmente, sem razão ou aviso. Mas eu me lembro das dores passadas e de como eram antes de ser… e então registro o prenúncio de alguma dor que está no amanhã.
Nós
Quando falta palavra e sobra cor.

Nós, de Grace Donati. Aquarela sobre canson 180, 21 cm x 29,7 cm.
Poemas Inconjuntos, de Alberto Caeiro (1913-1915)
Alberto Caeiro exaltou a simplicidade, os milagres que se revelam no anonimato do suceder dos dias… a rosa se abrindo, o sol se pondo, a gota caindo da folha. Neste poema, a mensagem é atualíssima, fazendo-nos refletir sobre este sentimento perene de insatisfação e da necessidade patológica de ser feliz o tempo todo e a qualquer custo. Pela liberdade de sentir o que houver para sentir: Poemas Inconjuntos!
Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira.
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seria melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!