Para dias cinzentos, recomendo plantar cores.

Para dias cinzentos, recomendo plantar cores.

Há dias em que é preciso viver
Das flores que se colhe
Das cores que pingam
E fazem folhas no papel
Das flores que eu colhi
Foi mais sutil me ver brotar.

Às vezes, é preciso fazer um jardim lá fora para vê-lo nascer cá dentro.

Morrer podia ser uma mudança lenta Nada de drama ou de dor Nada de lágrima. O vento, ao tocar o corpo levaria dele Um tanto do suor e do calor Um fio, um cheiro, um brilho. A cada sopro, menos do corpo um pouco A capa passagem pela carne Uma subtração de minúsculos pedaços de existência Uma viagem de cortes de si por aí A derradeira desconstrução sutil e flutuante. E assim, até virar fumacinha Uma ex-pessoa Seria eu mais feliz.
Triste, triste, triste
É possível mais tristeza
Num dia finito?
Eu só queria andar
De mãos dadas pela vida
Sorrir
Abrir meu peito
E seguir
Me lançar na vida
Alegre
Celebrar a incerteza
E de mãos dadas
Seguir sem medo

São pedaços Espalhados Inteirezas que foram Cortadas Prazer picado Quase intocado E o grito Que não se houve Na boca velada.

Fique bem
Sempre bem
O seu bem
É um bem muito importante
Para um tanto
De alguém.

Eu sou o silêncio
A mansidão da não palavra
E da ausência
Poeira suspensa
Num ar intenso
De nada
Sem nada
Denso.
