Soneto, de William Shakespeare

Há dias procuro palavras e tento harmonizá-las em escrito novo e de alguma relevância… teimosia sem sucesso. Na perspectiva do escritor, é preciso resignação e paciência para aceitar a euforia da alma que decide viver poesia em vez de escrevê-la. Humildemente, cabe nestes momentos, ler, ler e reler, em busca fervorosa por mais e melhores sentidos. Algumas doses de Shakespeare podem operar milagres.

Que à união de espíritos puros
Eu não aceite impedimentos. Não é amor, o amor
Que muda quando mudanças encontra,
Ou se curva a quem quer extingui-lo.
Oh, não! O amor é um marco eterno
Que inabalável enfrenta as tormentas.
É a estrela de todo barco errante,
De brilho certo, mas valor inestimável.
O amor não é joguete do tempo, embora
Ao envelhecer os lábios nos entorte.
O amor não muda conforme o dia e a hora,
Mas chega inalterado até o fim dos tempos.
Se me provarem que isto está errado,
Então nunca escrevi nem ninguém jamais amou.

William Shakespeare (1564-1616)

Encontro

image…me encontrei serena na trêmula carne
…me arranquei sangrando.
Escondi possessões erradas
Planejei histórias vis
E vi no calor de meus afagos
A possibilidade de em êxtase seguir
Perpetuando a espécie do meu riso
Por ser sempre e ter contornos
Pelos cantos e inebriantes jeitos…
Em meus toques certos males
De fêmea em tanta sanha.

(Junho de 1999)

Grafismo da autora.

Amar

Não há escolha ou desculpa ou remédio. Não há saída ou atalho ou solução que nos defenda de amar.

De Carlos Drummond de Andrade, Amar.

Que pode uma criatura senão entre criaturas, amar?
Amar e esquecer?
Amar e malamar
Amar, desamar e amar
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
Sozinho, em rotação universal,
se não rodar também, e amar?
Amar o que o mar trás a praia,
O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amor inóspito, o áspero
Um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte,
e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este é o nosso destino:
amor sem conta, distribuído pelas coisas
pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor
Amar a nossa mesma falta de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito e a sede infinita.

Fonte http://www.vidaempoesia.com.br/carlosdrummond.htm

E para que os sentidos se rendam todos, “Amar” na intensidade de Marília Pera.

 

 

Alegria, gratidão e fraternidade

imageGratus é uma plataforma social gratuita, desenvolvida na cidade de Marília (interior de São Paulo), que conecta pessoas interessadas em praticar a gratidão por meio da troca de experiências.

A palavra Gratus é natural do latim e significa gratidão, ou seja, a capacidade de se sentir agradecido por algo, de desenvolver sentimentos como empatia, compaixão, amizade, gentileza e amor.

Ao sentir empatia por alguém, somos capazes de reconhecer o que o outro fez de bom para nós e, também, de expressar e retribuir essas benfeitorias. A gratidão ocorre sempre que alguém faz algo que o outro gostaria que acontecesse, sem esperar nada em troca. Isso faz com que a pessoa que fez a ação se sinta feliz e a que recebeu também!

Acreditamos que a gratidão não é apenas um sentimento, mas uma experiência. Por isso, neste site, queremos conectá-lo a várias maneiras de exercer essa virtude.

Texto retirado da página do Gratus – fazer o bem te faz bem, no Facebook.


 

A esse grupo de pessoas especiais, a esta belíssima iniciativa e ao sentimento de fraternidade que luta por nos unir, um pouco de poesia.

Alegria

Para se alegrar é preciso tomar parte de um momento sublime
Lançar-se ao acaso e à imprevisão de alguém.

Para ser parte, é preciso abandonar-se de si
Colocar-se em meios e entornos, sem fazer refém.

Para abandonar-se, é justo despreocupar-se da própria agonia
Entregar-se ao amor puro e fraterno, sem temor e sem qualquer porém.

Desperta…dor

O despertador desperta o que já acorda
Os olhos que já vêem
As bocas que se procuram
Com lábios que se inquietam
Que febris, se encontram
Choram ao sorrir, querem por precisar.

Inseguram-se os corpos no descompasso
Do impulso rubro de um jogo louco
Tentativa da fusão essencial
Calmaria de um refluxo que não há
Retomada de uma ausência que não é.

O dia começa, as vidas se separam
O amor toma parte da intersecção dos fatos
De um sem fim surge outro início
Diferente do primeiro, necessário como os dias
Mais clarividente que a escuridão de nossas noites.
E se voltam os corações um ao outro
Mais pela necessidade de se cristalizar e vontade de reviver
Que pela infundada responsabilidade do retorno.