Espere.
Espere ar.
Espere ansiando
Experimentar
Que a vida só tem ida
Se esperançar
E só se faz dia é no lidar
Num toar
À toa de respirar
Inspirando tudo o que se tem de ar
E vagar.
E lar.
Inspire amar.
Inspire mais para além do
Existenciar
Esperanceie todos eles
A se enamorar
Dos dias e das vidas
Do céu ao mar
De si mesmo
Da cria
Expirar.
Não tem dia certo para esperar.
É só viver hoje
A esperança de ontem.
Inspirar
E amar.
calma
Palavras emprestadas
… de Xavier Pereira.

Para além da curva da estrada…, refletindo Alberto Caeiro
Lendo a “Poesia Completa de Alberto Caeiro” (Fernando Pessoa, São Paulo: Companhia das Letras, 2005), com comprometimento total pela primeira vez, tenho me deparado com versos que fariam festejar o mais dedicado adepto do Mindfulness. É uma celebração do agora, do estado presente, dos sentidos, da percepção, do palpável, do que se alcança hoje. É uma mensagem que vai bastante além da valorização da natureza. Toca o que há de essencial na própria essência, o núcleo, o imprescindível. Na página 88, abrindo “Poemas Inconjuntos”, revela-se o poema antídoto da ansiedade. É só ler e reler…
“Para além da curva da estrada Talvez haja um poço, e talvez um castelo, E talvez apenas a continuação da estrada. Não sei nem pergunto. Enquanto vou na estrada antes da curva Só olho para a estrada antes da curva, Porque não posso ver senão a estrada antes da curva. De nada me serviria estar olhando para outro lado E para aquilo que não vejo. Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos. Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer. Se há alguém para além da curva da estrada, Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada. Essa é que é a estrada para eles. Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos. Por ora só sabemos que lá não estamos. Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva Há a estrada sem curva nenhuma.”
Um pedaço de calma
Você tem de mim um pedaço de alma
O ponto que reluz
Livre e que vaga solto
E sabe que basta existir
Nada mais
Você tem de mim um pedaço
Da luz
Que reluz do meu riso
Sem juízo
Azul
Você tem de mim um pedaço da calma
De me bastar
E de me ganhar
Pra mim inteira
Sossegar.
Cura
Daí você vem
E porque vem
Minha fuga
Porque respira
Me ajuda
Porque me olha
Me cura.
Daí você é
E porque é
Minha pluma
Porque existe
Me cuida
Porque não desiste
Sou sua.
A Hora Da Calma
É chegada a hora da calma
De chamar mais alma
De viver em valsa
É preciso o tempo na fala
No vagar sem mala
No tardar que para
É fagueira a paz que laça
Que arrebanha a massa
Que liberta a graça
É faceira a chuva em salva
Da nuvem que pausa
Da luz em falta
É chegada a hora da calma
De vagar sem mala
No tardar que pausa.