Todos os dias são meus

Pelo Dia Internacional da Mulher… validando cada palavra, novamente.

Avatar de Grace Cristina Ferreira-DonatiVERBOGEREN

Como mulher que sou, permito-me antecipar o que a sociedade atribuiu como meu dia e me por a dialogar com todas as demais da minha espécie.

Querida,
Permita-se a franqueza de ser quem verdadeiramente é. Permita-se a autenticidade, a verdade dos seus cabelos bagunçados e da alma entrelaçada de dor. Permita-se colocar-se confortavelmente no mundo. Permita-se a risada escandalosamente solta. Permita-se evocar a insensatez e proclamar seu desejo aos ventos. Permita-se enterrar passados sombrios e experimentar novos rios, vidas a fio. Permita-se a singeleza e a delicadeza. Permita-se o grito dos limites, a solidez do basta-se. Permita-se tocar a vida em erros, defender seus acertos e erguer o queixo, sem medo. Permita-se a descrença e a fé ingênua, o desatino do momento, criar e manter segredos. Permita-se a queda. Permita paixão à própria solidão. Permita o perdão ao não. Permita voz a cada flecha atroz. Permita-se negar e fazer parar…

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Urgência

Se eu soubesse que não te veria mais
Eu teria esgotado minha voz dizendo que te amo
Teria feito de cada bobagem dita uma poesia de beleza infinita
Para acalentar agora esta dor no meu peito sem limite.

Eu teria refeito minha fé e criado coragem
Para conseguir teu perdão à minha ausência
Teria chorado com você a lágrima que eu sempre escondi
Teria quebrado o relógio das minhas urgências.

Ah… se eu soubesse que não te veria mais
Eu teria pacientemente ouvido o que nunca se deixava dizer
Teria estado ao teu lado e com você, sofrido
Toda a massa de dor dos dias penosos do fim.

Se eu soubesse que não te teria mais
E que jamais teu sorriso me poria a sorrir
Eu teria clamado mais por sua vida
Por uma nova sina, outro amanhã de menina.

Quase

Eu quase compreendo a tristeza de quem chora
E quase sinto a dor da ferida
E ouço a lamúria das esquinas
E quase escorre em mim a lágrima daquela menina.

Eu quase morro a morte da Aurora
E quase revivo o riso e a voz
Por pouco não toco em mim a saudade de mil sóis
E quase embalo a saudade daquele colo… de nós.