Os dias

É de degraus e de vagares que se esculpem os dias
Da luz e da sombra, das ondulações do caos.
É de sóis e cinzas que se remenda a rotina
Das fantasias lunáticas da normalidade.
É da rudeza no tilintar das horas
Das farsas boas e de meias verdades.
É de manias e pesares que se torneiam as vidas
Da dor e da glória, das limitações do mal.

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Ordeno-te a nascer só.
E só, caminharás o teu caminho
Sozinha, enxugarás a lágrima que cair
Sozinha, costurarás a ferida que se abrir.

Ordeno-te a viver só.
E só, controlarás redemoinhos
Sozinha, concederás o alívio a fruir
Sozinha, sorrirás o riso que insistir.

Ordeno-te a morrer só.
E só, retornarás ao teu ninho
Sozinha, entregarás a alma a servir
Sozinha, findarás a angústia a brandir.