Acidentada
A memória da pétala e da cor
De séculos e séculos e séculos de amor
De manias, de vícios, de vazios e dor
Algemada
Flagelada
Celebrada
Dor.
Poesia
Pretérito Imperfeito
Sobre a menina que me deu a vida

Hoje cedo, quando acordei e fui ao encontro da minha mãe para entregar meu abraço caloroso e um presente pelo Dia das Mães, me deparei com uma menina. Ela estava de pé, em cima da mesa da nossa área de lazer (pasmem!), retirando lagartas de uma samambaia. Não tive dúvidas e, abrindo um largo sorriso, concluí: é mesmo a minha mãe!
Com idade suficiente para dedicar-se a tarefas de cadeira, ela ainda sobe no telhado para retirar folhas secas e galhos, sobe nas mesas para cuidar das plantas e entra comigo no porta-malas do meu carro fazendo graça enquanto me ajuda na limpeza. É uma menina!
Minha mãe é aquela que passou a vida doando todo o tempo aos seus filhos, e amparando amigos e parentes nos momentos difíceis quando precisava, ela mesma, ser acolhida e cuidada.
Ela esquece de si mesma com muita naturalidade, como se não fosse importante e tenta me convencer de que eu sou sua luz.
Ela ignora suas necessidades mais básicas e ainda se sente culpada por comer um pastel na rua, quando eu não estou com ela para comer também.
Assim é a minha mãe!
Depois de receber seu presente hoje, me deu uma linda orquídea… agradecendo por eu ser sua filha.
Mas não se enganem: a doçura também pode azedar ao ritmo dos segundos (!!!) por coisa pouca e sem que ninguém espere. Nestes momentos, eu sou lembrada de que a Genética existe de verdade!!!
Foi esta menina que me deu a vida. Sou vista, cuidada, amada e amparada por ela. Ela ainda me chama de princesa com sua fronte no meu peito e, junto com meu pai, acredita que serei para sempre sua criança. Talvez seja isso mesmo… porque filha de menina, menina é!
Assente-se
Assinale
O sinal raro
Acentue
O banal fato
Assimile
O final claro
Assegure
O real laço.
Sentir em curtas III
“O que se esconde neste milagre do alvorecer
É algo que trago em mim desde menina
É fato que vive em mim desde a sina
De antever o próximo verso nos dias céticos.”
O que o sorriso sabe
Sabe este sorriso?
Sabe o que ele sabe?
Felicidades pequeninas
Alegrias infinitas
Memórias lindas.
Sentir em curtas II
“Hoje, quando a dor escorria de seus olhos e tatuava minha pele, pedi pela sua vida mais do que pediria pela minha. Assim, senti que meu colo pode ser seu repouso, um caminho, um alívio… do inexorável que há em cada dia”.
Pequena história de uma biruta
Pelo que eu vivi hoje junto deste menino muito especial… emprestei-lhe minha biruta pelo tempo que for preciso para que se lembre sempre onde está o meu colo.
Uma busca rápida em sites de pesquisa é capaz de nos informar, com linguagem pomposa, que biruta “é uma manga ou tubo de tecido, semelhante a um saco cônico, com a abertura mais larga presa a um aro e fixa a um mastro, e a outra, mais estreita, solta, que se enfuna quando o vento sopra, indicando, assim, a direção deste”. No entanto, após ter sido presenteada com uma biruta criativa e inovadora, é necessário acrescentar sentido à definição. Thiago, o personagem principal desta história e inventor da alegre biruta, fez de nosso encontro prosaico, uma poesia de expressão de saudades e entusiasmo, entregando-me o presente especial que trazia consigo, após uma revelação lenta e solene para o efeito de maior surpresa. Pousando olhos sorridentes sobre mim, deflagrou sua arte escondida: “É pra você! É uma biruta!”. E então, antecipando-se a qualquer manifestação da minha ignorância, acrescentou: “Serve para indicar…
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As faltas
Falta eu em você
Como falta meu peito no abraço
Como falta colo ao cansaço.
Falta você em você
Como falta sorrir sem pensar
Como falta querer sem pesar.
Falta nós em você
Como falta render-se ao afago
Como falta perder-se a salvo.
Sentir em curtas
O quanto de prosa cabe a um poeta?
E quão inexorável é a escuridão que lhe atravessa?
