Manual

Alimente teu peito
Não apresse o vento
E se a vida lhe fugir, vá com ela, sem lamento.

Vigie teu acerto
Ouça com o corpo inteiro
E se o medo lhe seguir, acolha o erro, sem receio.

Abrace teu desejo
Entregue-se ao sabor do tempo
E se o dia lhe ferir, aguarde a lua, com apreço.

Celebre teu momento
Cometa desvarios e feitos
E se o mundo lhe medir, escolha o riso, satisfeito.

Quanto vale um sonho?

Processed with Rookie Cam

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Vale os tombos?
As quedas, as dores, o choro contido e a falta de ar?
Vale romper limites, extenuar o corpo, expor-se frágil e desajeitada?
Vale misturar a imperícia ao brilho de movimentos tão suaves?
Vale arriscar-se ao desacerto?
Vale, às vezes, um coração quebrado?
Vale os riscos, todos eles?
Vale as perdas e os sacrifícios?
Vale danos na alma?
Vale transbordar de insistência?
Vale o sorriso inseguro?
Vale a persistência?
Pelos dias bons, vale a pena viver dias difíceis.
Pela dança, vale a pena cair.
E vale a pena se levantar…

E então… eu sou feita da minha escrita.

A novidade antiga é que a escrita me define. Ela descreve meus achados de pesquisa, minhas impressões da atividade clínica, as sutilezas que percebo. Cabe escrever a quem sente muito e a quem se intoxica com percepções não compartilhadas. Cabe verter-se em palavras a quem se derrama de amor e dor, a quem se dissolve por aqui e ali. A mim cabe a escrita. Em hora curta e por toda a vida.