É nesta miséria que as pessoas deslizam suas vidas.
Nesta comiseração pelo umbigo próprio e na fantasia da penúria.
É com este deslize, no rescaldo de humanidade
Que elas se afugentam no calor de suas ilusões
Com cores primárias
E luz enfeitada.
Palavreado
As palavras todas estão em mim
Umas se afugentam
Outras rabugentam
E assim é
Sem fim.
Só

Ordeno-te a nascer só.
E só, caminharás o teu caminho
Sozinha, enxugarás a lágrima que cair
Sozinha, costurarás a ferida que se abrir.
Ordeno-te a viver só.
E só, controlarás redemoinhos
Sozinha, concederás o alívio a fruir
Sozinha, sorrirás o riso que insistir.
Ordeno-te a morrer só.
E só, retornarás ao teu ninho
Sozinha, entregarás a alma a servir
Sozinha, findarás a angústia a brandir.
Vício bom
É de adolescer a calma
É de fenecer a falta
É de embevecer a alma
Este olhar
Mania.
É de celebrar o gesto
É de viscerar o acesso
É de desejar o verso
Este estar
Vicia.
Celebrada dor
Acidentada
A memória da pétala e da cor
De séculos e séculos e séculos de amor
De manias, de vícios, de vazios e dor
Algemada
Flagelada
Celebrada
Dor.
Pretérito Imperfeito
Sobre a menina que me deu a vida

Hoje cedo, quando acordei e fui ao encontro da minha mãe para entregar meu abraço caloroso e um presente pelo Dia das Mães, me deparei com uma menina. Ela estava de pé, em cima da mesa da nossa área de lazer (pasmem!), retirando lagartas de uma samambaia. Não tive dúvidas e, abrindo um largo sorriso, concluí: é mesmo a minha mãe!
Com idade suficiente para dedicar-se a tarefas de cadeira, ela ainda sobe no telhado para retirar folhas secas e galhos, sobe nas mesas para cuidar das plantas e entra comigo no porta-malas do meu carro fazendo graça enquanto me ajuda na limpeza. É uma menina!
Minha mãe é aquela que passou a vida doando todo o tempo aos seus filhos, e amparando amigos e parentes nos momentos difíceis quando precisava, ela mesma, ser acolhida e cuidada.
Ela esquece de si mesma com muita naturalidade, como se não fosse importante e tenta me convencer de que eu sou sua luz.
Ela ignora suas necessidades mais básicas e ainda se sente culpada por comer um pastel na rua, quando eu não estou com ela para comer também.
Assim é a minha mãe!
Depois de receber seu presente hoje, me deu uma linda orquídea… agradecendo por eu ser sua filha.
Mas não se enganem: a doçura também pode azedar ao ritmo dos segundos (!!!) por coisa pouca e sem que ninguém espere. Nestes momentos, eu sou lembrada de que a Genética existe de verdade!!!
Foi esta menina que me deu a vida. Sou vista, cuidada, amada e amparada por ela. Ela ainda me chama de princesa com sua fronte no meu peito e, junto com meu pai, acredita que serei para sempre sua criança. Talvez seja isso mesmo… porque filha de menina, menina é!
Assente-se
Assinale
O sinal raro
Acentue
O banal fato
Assimile
O final claro
Assegure
O real laço.
Sentir em curtas III
“O que se esconde neste milagre do alvorecer
É algo que trago em mim desde menina
É fato que vive em mim desde a sina
De antever o próximo verso nos dias céticos.”
O que o sorriso sabe
Sabe este sorriso?
Sabe o que ele sabe?
Felicidades pequeninas
Alegrias infinitas
Memórias lindas.
